Desmatamento na Amazônia cresceu 33% de janeiro a outubro em relação ao ano passado e registra novo recorde

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G1
Laís Modelli
17 de novembro de 2021

Floresta perdeu área maior que 6 vezes a cidade de São Paulo em 10 meses, aponta Imazon. Dados saem dois dias após Bolsonaro afirmar que floresta está ‘exatamente igual a como era em 1500’

 

O desmatamento na Amazônia de janeiro a outubro de 2021 foi de chegou a 9.742 km2, o equivalente a mais de 6 vezes o tamanho da cidade de São Paulo, segundo novo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). É a maior devastação registrada para o período dos últimos dez anos.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, que monitora a floresta por meio de imagens de satélites.

O recorde anterior para o período de janeiro a outubro havia sido o registrado em 2020, mas os dados deste anos são 33% maiores.

“Enquanto houver invasões de florestas públicas por grileiros, com objetivo de obter a posse legalizada dessas áreas, o desmatamento, infelizmente, tende a continuar nesses patamares”, afirma Antônio Fonseca, pesquisador do Imazon.

 

Na segunda-feira (15), Jair Bolsonaro afirmou, durante evento com investidores em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que “os ataques que o Brasil sofre em relação à Amazônia não são justos”, que a floresta “tem mais de 90% de área preservada” e que está “exatamente igual a como era em 1500”. (assista o vídeo)

Onde ocorre o desmatamento

 

Em outubro de 2021, o SAD detectou 803 km2 de desmatamento na Amazônia Legal, o segundo pior índice para o mês – o recorde de desmatamento registrado em outubro ocorreu em 2020, quando o desmatamento somou 890 km2.

Considerando o desmatamento por tipo de posse da terra, mais uma vez os dados mostram que as áreas que mais desmatam na Amazônia estão em propriedades privadas, enquanto que as terras indígenas são os territórios mais preservados. Em outubro de 2021 o desmatamento ocorreu, segundo o Imazon:

  • 56% em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse
  • 30% em Assentamentos;
  • 9% em Unidades de Conservação;
  • 5% em Terras Indígenas.

 

A situação em outubro foi mais crítica nos estados do Pará (56%), Amazonas (13%) e Mato Grosso (11%). Entre os municípios, os mais desmatados foram, mais uma vez, o paraense São Felix do Xingu, com 51% do desmatamento registrado em todo o estado, seguido por Pontel, com 40%.

Em setembro, o desmatamento na floresta amazônica foi o maior em dez anos. Foram desmatados 1.224 km2, uma área do tamanho da cidade do Rio de Janeiro, ou o equivalente a mais de 4 mil campos de futebol destruídos por dia.

Maior temporada de desmatamento em dez anos

Levantamento anterior do Imazon, publicado em agosto, mostrou que a floresta perdeu 10.476 km² entre agosto de 2020 e julho de 2021, meses em que se mede a temporada do desmatamento. Neste período, a Amazônia perdeu uma área equivalente a nove vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

A taxa foi 57% maior que a da temporada passada de desmatamento, além de ser a pior dos últimos dez anos

Na contramão dos recordes de desmatamento registrados desde o início do governo de Jair Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciou na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) que o Brasil deverá zerar o desmatamento ilegal em 2028.

Texto original disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/amazonia/noticia/2021/11/17/desmatamento-na-amazonia-cresceu-33percent-de-janeiro-a-outubro-em-relacao-ao-ano-passado-e-registra-novo-recorde.ghtml

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